• Segunda, 16 de Dezembro de 2019

Colecionando embates, governo de Campos vai se inviabilizando

Caminhando para o quarto e último ano de administração, é difícil não exergar que o governo do prefeito Rafael Diniz beira a inviabilidade.

A questão vai além do não fazer: o executivo não apresenta projeto, não aponta luz no fim do túnel e nem mesmo dá esperança. Em suma, é uma administração que só sabe dar notícia ruim.

Saúde é um desastre

Depois de quase um mês em greve, no início de setembro os médicos retornaram ao trabalho, mas reclamam que alguns pontos do acordo não foram cumpridos. 

Em seguida, também os funcionários dos hospitais contratualizados (Santa Casa, Plantadores, Beneficência e Álvaro Alvim) entraram em estado de greve por conta do atraso no repasse das verbas pela prefeitura. Os diretores dos referidos hospitais tiveram que acionar o MP. 

Em mais um capítulo da insatisfação generalizada, nesta 2ª-feira, 16, os gestores de hospitais questionaram os novos projetos de lei enviados para a Câmara. Todos  fizeram severas criticas ao governo. Para o diretor da Santa Casa, "parece que o governo municipal quer oficializar o calote quando diz que não vai nos pagar porque não temos o tributo em dia. Mas não temos o tributo em dia porque o governo não nos pagou.  comentou.

Nova greve – Também os funcionários que atuam na limpeza do Ferreira Machado entraram em greve nesta seguna-feira. Segundo informam, o motivo da paralização é o atraso no pagamento dos salários e a falta de material de higiene para que possam desempenhar suas funções.

Enfim, não há como não admitir que Campos, em particular a Saúde, vive um estado de caos.

13º do servidor

Não obstante o funcionalismo esteja há três anos sem aumento, ou seja, sem reposição das perdas, a Prefeitura de Campos propôs parcelar o 13º até maio. O Sindicato dos Servidores resolveu, então, entrar com ação pedindo o pagamento até 20 de dezembro.

O juiz da 5ª Vara Cível, Heitor Campinho, deu prazo de 72 horas para que a Prefeitura se pronunciasse sobre o assunto, tendo o município reiterado a impossibilidade de depositar o 13º este ano. A Justiça negou o recurso e, em caráter liminar, determinou que o pagamento seja efetuado integralmente em parcela única até o dia 20 próximo, "sob pena de desobediência e demais sanções legais".

No despacho, o magistrado destacou o caráter alimentar do benefício natalino, lembrando que a Prefeitura tem um orçamento anual acima de R$ 1,5 bilhão e, portanto, não vê justificativa para o não pagamento da verba salarial. 

Problemas em duas frentes

Não se vai reproduzir aqui a longa lista de coisas negativas.  Contudo, chama atenção que o governo, sem nem mesmo atender ao 'feijão com arroz' administrativo (ruas esburacadas e mal iluminadas, trânsito caótico, transporte coletivo sem qualidade, bueiros entupidos e a cidade alagada após 30 minutos de chuvas, o Mercado Municipal como está, a periferia abandonada, etc.) padeça, também, no campo político-institucional, através de sucessivos desgastes com o funcionalismo, com o comércio, com o setor produtivo e outras categorias.

Além disso, entrou em mais um embate, desta feita com a Câmara de Vereadores, que não aceita o pacote de medidas de contingenciamento enviado pelo governo. 

O quadro, tal qual vai se formando, poderia sugerir uma certa empáfia. Contudo, para não fugir ao caráter sutil com que se faz essas considerações, há de se cogitar se os 151 mil votos, quantitativo sobremaneira expressivo, acabaram fazendo mal. (Continua)

* Com informações também do Terceira Via * Texto alterado e atualizado