• Quinta, 21 de Maio de 2020

‘Caso’ Regina Duarte merece reflexão

Trajetória de 50 anos foi desmontada em três meses

Além do teatro e cinema, a carreira de Regina Duarte foi construída com a participação em centenas de episódios e minisséries da Globo, oito casos especiais e, principalmente, 31 novelas na emissora, quase todas de grande sucesso, com destaque para ‘Selva de Pedra’, ‘Roque Santeiro’, ‘Guerra dos Sexos’, ‘Vale Tudo’ e ‘Rainha da Sucata’ – entre tantas outras.

Com mais de 50 anos de Rede Globo, a atriz recebeu convite do presidente Bolsonaro para assumir a Secretaria Especial da Cultura. Pediu tempo para pensar. Depois, mais tempo. Por fim, aceitou.

Assumiu em 04 de março e, nesses dois meses e meio, aconteceu o seguinte: foi demitida da Globo, passou a ser hostilizada por quase toda a classe artística – por seus colegas –, desagradou grupos do governo, grupos fora do governo, deu entrevistas equivocadas, contrariou Bolsonaro e perdeu o cargo. (A Cinemateca foi a emenda que ficou pior que o soneto).

Conclusão: evidente que Regina não teria o patrulhamento de seus colegas se fosse secretária do governo Dilma ou Lula. Tampouco seria grosseiramente ofendida pelo ‘cuspidor’ e eterno coadjuvante, José de Abreu. Evidente, também, que a ‘ex-namoradinha do Brasil’ não teve pulso, quis camaradagem quando não cabia, fez brincadeiras com o presidente ao invés de adotar a distância prudente e deu entrevistas desastrosas.

Com mais ou menos razão – um pouco pra lá, um pouco pra cá – fica a reflexão de que todo cuidado é pouco para que carreira e imagem construídas ao longo de cinco décadas não desabem  aos pedaços ladeira abaixo em três meses.