• Segunda, 06 de Janeiro de 2020

Bolsonaro faz novo ataque à imprensa. Uma 'história' que costuma dar errado

"Vocês são uma raça em extinção", afirmou o presidente Bolsonaro nesta segunda-feira, 06, na entrada do Palácio do Planalto.

O curioso é como o presidente faz ataques gratuitos – ou revida em exagerado excesso –, quando a referida prática nunca deu certo aqui ou em nenhum outro país democrático, a não ser por curto período de tempo.

Apesar de ter a caneta na mão, é assim que funciona. Não como Bolsonaro pensa. 

Citando alguns poucos exemplos, vejamos. 

1) O maior estadista do Brasil, Getúlio Vargas, venceu a eleição de 1950 apesar da oposição que lhe fizera quase toda a imprensa nacional. Mas não concluiu o mandato, abatido pelo implacável cerco jornalístico, em particular do Estadão.

2) Com problemas no Congresso, Jânio Quadros – excentricidades à parte – não resistiu à pressão, também, da imprensa, e renunciou em 1961 meses após tomar posse.

3) A queda de João Goulart – não obstante, também neste caso, há de se levar em conta que o próprio presidente agitou o País – dificilmente teria ocorrido sem a participação dos veículos de comunicação que, ao mesmo tempo, apoiaram maciçamente o golpe de 64. 

4) Leonel Brizola, um dos grandes nomes da política brasileira, manteve ao longo de sua carreira uma inimizade com a Globo que provavelmente influenciou sobremaneira nas sucessivas derrotas como candidato a presidente. 

5) As organizações Globo, da mesma forma, influenciaram tanto na vitória de Fernando Collor quanto em sua derrocada. 

6) O ex-presidente Fernando Henrique teve sua reeleição facilitada pelo bom convívio que mantinha com os órgãos de comunicação, na mesma medida que Dilma Rousseff teve a vida dificultada pela má convivência. E nesta mesma canoa o próprio Lula afundou quando passou a hostilizar a imprensa. 

Enfim, os exemplos estão aí. Voltando... o presidente Bolsonaro tem a caneta, que é um instrumento muito forte. Mas será algo inédito se mantiver este embate contra órgãos de grande influência e conseguir emplacar o segundo  mandato.

* Segundo a Folha de S. Paulo, a declaração de Bolsonaro ("raça em extinção") mirou a própria Folha, na esteira "de uma reportagem do UOL, que tem participação acionária minoritária e indireta da Folha".