• Quarta, 17 de Fevereiro de 2021

Aglomerações no Rio

O puxão de orelhas da jornalista Ruty de Aquino

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Jornalista Ruty de Aquino, de O Globo

Pode até ter sido uma minoria, mas uma minoria que promoveu grandes ajuntamentos e fez do feriadão o Carnaval da Covid. Brasil afora, praias, bares lotados e aglomeração nas ruas fizeram de tudo e mais um pouco para turbinar a transmissão do coronavírus. No Rio – claro – não foi diferente.

Abaixo, partes do impecável texto da conceituada jornalista Ruth de Aquino, sobre a omissão do prefeito do Rio, Eduardo Paes, enquanto Belo Horizonte fechou tudo.

“(...) Conter bêbados e bêbadas. Interditar estabelecimentos lotados de inconscientes. Deter alguns como “exemplo” – de que adianta mesmo?”

“(...) É só olhar o fim de semana em Belo Horizonte, com os bares todos fechados no Carnaval, para perceber que os bares e as casas de festas não poderiam ter ficado abertos no Rio. Não adianta se voltar contra o povaréu que lotou os bares e boates. Ou esperar o impossível. Homens públicos precisam tomar medidas impopulares em defesa da saúde pública. Para salvar vidas. Muitas vidas.”

“(...) ver a Dias Ferreira, a Lapa e tantos outros points já manjados abertos e cheios como se não houvesse pandemia é problema sim de Eduardo Paes. Para não desagradar aos comerciantes, fecha os olhos, lava as mãos e joga um jogo de empurra e faz-de-conta. Não vai dar para se mostrar indignado, né, prefeito? A cepa carioca parece ser contagiosa e ter atingido o discernimento de quem deveria nos proteger ao menos do que lhe compete”.

“(...) A frase “mineiro só é solidário no câncer” foi atribuída a Otto Lara Resende, mas ele nunca assumiu a autoria. Não sei se os mineiros, nesse carnaval da Covid, vieram para o Rio, cidade sem lei. Em Belô, ruas estavam desertas, bares estavam lacrados e interditados. O carioca não é solidário nem na Covid. E isso não é frase de escritor ou de intelectual ou de cronista. É constatação mesmo...”